domingo, 26 de setembro de 2010

Marks a Pact - Cap 3 (depois de muito tempo)

"Oi querida." - disse Érica.
Senti um arrepio e me virei. Meus olhos custavam acreditar no que eu estava vendo. Érica estava na minha frente com um vestido florido que eu conhecia bem. No entanto, as flores tinham um aspecto cinzento. Ela trazia no rosto um sorriso docemente diabólico. Conservava a mesma beleza de sempre, só que um tanto maligna. 
"Diga-me querida, da última vez que nos vimos, você desejou que eu fosse a um lugar. Você se lembra?"
Não respondi. Eu tremia de medo.
"Então, é pra lá que você vai. Sabe, lá é bem divertido. A diferença é que você não se diverte, eles é que se divertem com você."
Procurei forças para lutar, mas naquele momento me sentia totalmente vulnerável. Tentei gritar, mas foi em vão. Eu simplesmente não conseguia encontrar um grito em minha garganta. Ela ia se aproximando lentamente, porque sabia que eu não encontraria forças pra fugir. Senti o pânico se apossando do meu corpo. Ela estava perto demais e antes que eu me desse conta, as mãos dela estavam em meu pescoço. Ela apertava com uma força surpreendente, sacudindo-me como se ela fosse o liquidificador e eu a massa. Senti meus pés saindo do chão.
Ouvi passos apressados ao longe. Ela me soltou bruscamente. O ar entrava com dificuldade por minha garganta. Me virei e vi meu pai olhar para Érica. A cena que parecia ser de terror se transformou em uma cena de romance. Ela olhou para ele sorrindo como um cego que enxerga a luz pela primeira vez. Meu pai correu e a abraçou ardentemente. A abraçava como se ela fosse a água e ele estivesse morrendo de sede em um deserto. Ela parecia cheia de vida novamente.

Nós três voltamos pra casa normalmente, eu calada, sem reação. Em meio a atmosfera de felicidade e excitação, me perguntei se tudo aquilo havia sido um sonho, mas meu pescoço ainda doia. Não, não havia sido um sonho. Sem que meu pai percebesse, ela me lançou um olhar de ameaça. Se eu contasse alguma coisa, ela roubaria não só a minha alma, mas também a dele.
Ao chegarmos em casa, as coisas pareciam estar normais outra vez. Eles agiam como se nada tivesse acontecido. Subi  para o meu quarto e fui direto pro chuveiro. Me sentia horrivelmente cansada.

Enquanto a água descia pelo meu corpo, me perguntei o que Érica pretendia fazer.