domingo, 26 de setembro de 2010

Marks a Pact - Cap 3 (depois de muito tempo)

"Oi querida." - disse Érica.
Senti um arrepio e me virei. Meus olhos custavam acreditar no que eu estava vendo. Érica estava na minha frente com um vestido florido que eu conhecia bem. No entanto, as flores tinham um aspecto cinzento. Ela trazia no rosto um sorriso docemente diabólico. Conservava a mesma beleza de sempre, só que um tanto maligna. 
"Diga-me querida, da última vez que nos vimos, você desejou que eu fosse a um lugar. Você se lembra?"
Não respondi. Eu tremia de medo.
"Então, é pra lá que você vai. Sabe, lá é bem divertido. A diferença é que você não se diverte, eles é que se divertem com você."
Procurei forças para lutar, mas naquele momento me sentia totalmente vulnerável. Tentei gritar, mas foi em vão. Eu simplesmente não conseguia encontrar um grito em minha garganta. Ela ia se aproximando lentamente, porque sabia que eu não encontraria forças pra fugir. Senti o pânico se apossando do meu corpo. Ela estava perto demais e antes que eu me desse conta, as mãos dela estavam em meu pescoço. Ela apertava com uma força surpreendente, sacudindo-me como se ela fosse o liquidificador e eu a massa. Senti meus pés saindo do chão.
Ouvi passos apressados ao longe. Ela me soltou bruscamente. O ar entrava com dificuldade por minha garganta. Me virei e vi meu pai olhar para Érica. A cena que parecia ser de terror se transformou em uma cena de romance. Ela olhou para ele sorrindo como um cego que enxerga a luz pela primeira vez. Meu pai correu e a abraçou ardentemente. A abraçava como se ela fosse a água e ele estivesse morrendo de sede em um deserto. Ela parecia cheia de vida novamente.

Nós três voltamos pra casa normalmente, eu calada, sem reação. Em meio a atmosfera de felicidade e excitação, me perguntei se tudo aquilo havia sido um sonho, mas meu pescoço ainda doia. Não, não havia sido um sonho. Sem que meu pai percebesse, ela me lançou um olhar de ameaça. Se eu contasse alguma coisa, ela roubaria não só a minha alma, mas também a dele.
Ao chegarmos em casa, as coisas pareciam estar normais outra vez. Eles agiam como se nada tivesse acontecido. Subi  para o meu quarto e fui direto pro chuveiro. Me sentia horrivelmente cansada.

Enquanto a água descia pelo meu corpo, me perguntei o que Érica pretendia fazer.

domingo, 23 de maio de 2010

Marks a Pact - Cap 2

Ai meu Deus, o que eu fiz.


Eu vi tudo vermelho. Sangue. Comecei a gritar desesperadamente. Agonia. Não, o sangue não era meu. No lugar aonde deveria estar minha madrasta, havia só sangue e destroços. Meu pai saiu de casa assustado e perguntou o que havia acontecido, e no meio da multidão ele viu a mesma cena que eu. Ele ficou paralisado, depois, caiu de joelhos no chão. Era demais pra mim. Depois disso, a única coisa que vi foi um bombeiro me levando para dentro da casa, e tentando fazer com que eu me controlasse. A multidão aumentava.
 
O caixão foi lacrado porque o corpo dela havia ficado muito desfigurado. Todos estavam de preto, e eu com o vestido que ela havia me dado no natal. Era alegre, assim como ela. Mas o enterro não. O enterro parecia cinza, assim como os dias que se seguiram. A cada dia que passava, eu sentia um clima mais triste e melancólico, e tudo o que havia de feliz em mim passava por entre os meus dedos como areia fina, que por mais que você tente, você não consegue manter segura em suas mãos. Meu pai passou a comer novamente comida enlatada. Ele não jogava mais pôker, nem saía. Quando eu ia á escola, era como se eu estivesse abaixo de refletores. Todos olhavam e mesmo que não disessem, eu sabia que eles achavam que a culpa havia sido minha. Sinceramente, eu também acho.
Um dia eu simplesmente não estava mais aguentando. Saí de casa e estava tudo frio. Havia uma neblina espessa, por mais que a previsão do tempo fosse para um agradável dia ensolarado. Cheguei ao portão do cemetério e caminhei até a visão melancólica do túmulo de Érica.
O cemitério estava silencioso a não ser pelos passos ao longe do zelador. A neblina me impedia de ver aonde ele estava caminhando. Me sentei na lateral da sepultura e fiquei observando o rosto doce de Érica na foto. Ela usava um baton cor-de-rosa que eu havia lhe dado de presente no seu aniversário, que combinava com seu vestido florido. Coloquei o rosto entre as mãos e as lembranças do acidente invadiram a minha mente. Eu não queria me lembrar. Fechei os olhos com força, e de repente ouvi um barulho. Me virei para trás mas o cemitério estava deserto. Eu não ouvia mais os passos do zelador. O sorriso de Érica sempre me acalmava, então me virei para olhá-la novamente, e então percebi detalhes que não estavam na foto antes. Érica não estava sorrindo. A foto estava sem vida, sem cor, como se tivesse sido desbotada com o tempo. Seu sorriso não estava alegre. Na verdade ela não sorria. Tive a impressão de que seus olhos me encaravam, como não faziam antes. Seu rosto estava vazio, mas havia uma pontinha de ameaça nas suas feições jovens. Ela concerteza não parecia a mesma. Comecei a ouvir passos, então ouvi uma risada conhecida.
 
"Oi querida." - disse Érica.

sábado, 24 de abril de 2010

sábado, 17 de abril de 2010

Marks a Pact - Cap 1

Entrei no quarto e bati a porta, ainda de olhos fechados, me sentei num canto e abracei os joelhos.
Eu não queria abrir os olhos porque eu sabia que, assim como a luz, as lembranças voltariam.
Quantas vezes após a morte da minha mãe eu entrei nesse quarto após um pesadelo, procurando colo, e depois de ver o quarto vazio eu me lembrava que ela não estava mais comigo.
Eu conhecia cada canto daquele quarto.
E mesmo de olhos fechados, eu tinha noção do local exato de cada um dos objetos, e mesmo depois de tanto tempo, as lágrimas ainda regressavam aos meus olhos.
Mas eu não sabia se eu chorava por sentir falta da minha mãe ou por ser o motivo do que havia acontecido.

Minha mãe morreu em um acidente trágico quando eu tinha 4 anos, e desde então meu pai não havia estado com outra mulher a não ser Érica, minha madrasta.
Sou filha única, mas Érica tinha uma filha, Roberta, que mora e estuda no exterior, e eles queriam que eu fosse estudar fora, mas eu me neguei a ir. Acho que posso dizer que foi mais ou menos por esse motivo que a briga havia começado.
Eu não queria ser a causa das brigas da família, mas mesmo assim sempre fui, eu não podia evitar.

Tudo começou depois que eu cheguei cansada de uma merda de aula de Educação Física. Eles estavam me esperando na sala, meu pai e Érica. Estavam com aquela cara de “vai ser ruim mas vai ser bom pra você”. Eu já não gostei. Respirei fundo e passei pela sala o mais rápido possível em direção a escada, mas como sempre não fui rápida o suficiente.

– Sarah? – chamou meu pai.
– A Sarah morreu em uma trágica aula de Educação Física. Deixe seu recado após o sinal. – falei com uma pontinha de ironia.
– Muito engraçado – ele ergueu uma sobrancelha – mas sente-se aqui.
– Claro, eu corri tanto na aula que acho que não tenho mais pernas. Mas como eu ainda tenho uma bunda, posso sentar.
Érica sorriu. Me sentei ao lado do meu pai.
– Fala pai.
Ele respirou fundo, porque sabia que eu iria tentar me suicidar me jogando do andar de cima.
– Você vai morar e estudar no exterior com a Roberta. – ele disse.
Eu semicerrei os olhos, e disse: – Morar no exterior? Com a Roberta?
– Sim querida, vai ser bom pra você – disse Érica.
Eu olhei fundo nos olhos deles, cruzei os braços em sinal de rebeldia e disse:
– Não. Prefiro ser atingida por um raio.
– Você vai. Não é maior de idade, eu ainda mando em você. – ele disse.
Silêncio. Então eu explodi.
– Quer saber? Eu tenho certeza que se a mamãe estivesse aqui ela não iria me querer fora de casa! – eu disse, aos berros – você acha que sabe o que é melhor pra mim? Antes da Érica aparecer você era um solteiro estúpido que só comia comida enlatada e vivia por aí jogando pôquer e gastando todo nosso dinheiro. Eu já tenho noção das coisas e sei muito bem o que é melhor pra mim! – fui em direção a porta, mas Érica me conteve.
– Querida – disse Érica segurando o meu braço – não vá. Escute seu pai.
– Ah, me poupe. Aposto que foi você que colocou essa idéia na cabeça do meu pai. – falei amarga.
– Não querida! De jeito nenh... – ela tentou dizer, mas eu a interrompi.
– Cala a boca, eu te odeio. Vai pro inferno! – eu gritei e saí batendo a porta.

Atravessei a rua correndo e ouvi Érica chamando o meu nome. Ouvi um som de freio, e depois um baque. Quando olhei pra trás, vi tudo embaçado. As pessoas gritavam e corriam de um lado pro outro, em direção ao caminhão.
Ai meu Deus, o que eu fiz.


sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O Décimo Terceiro Prédio - Capítulo 5

"O meu avô" respondeu ela.
Então ela disparou a correr em direção a um homem branco e pálido que estava próximo ao prédio.
"Jane!" eu gritei. Saí correndo atrás dela. Alisson fez o mesmo.
Ela parou em frente ao homem, o encarando.
"Jane" disse ele. Os olhos de Jane se encheram de lágrimas.
"Jane, precisamos ir embora" disse Alisson tremendo.
Eu peguei no braço de Jane, mas ela continuou parada como uma estátua perfurando os olhos do homem com o olhar.
"É bom ver você. De novo." disse o homem.
"De novo?" perguntei histérico.
"Não pude lhe dizer tudo antes" continuou o homem, "você ficou tão pouco. Porque saiu correndo?"
"Eu fique com medo. Pensei que você quisesse me matar. O que você queria comigo?" disse Jane.
"Eu queria te contar toda a história." o homem disse, e Jane só balançou a cabeça.
"Você Jane" continuou ele, "tem um dom. O mesmo que eu tinha."
Dessa vez eu perguntei "Que dom? Do que vocês estão falando?"
"Você pode..." perguntou Alisson a Jane. Ela apenas assentiu.
"Não estou entendo nada!" disse eu nervoso." Nós temos que sair daqui!"
O homem deu um passo em minha direção e disse "Jane é exorcista. Ela pode fazer o mesmo que eu."
Eu não consiguia imaginar Jane, tão frágil e portadora de um sorriso tão lindo, exorcisando alguém.
"Não pode ser verdade" eu disse.
Alisson estava apavorada "Por favor, podemos ir embora agora? Por favor... Eu não quero me machucar"
"Ninguém vai te machucar aqui. Não seja idiota." disse o homem.
"Mas e os espíritos lá dentro?" Alisson perguntou apontando para o prédio.
"Eles são só demônios saídos de algum corpo possuído. Vocês ficarão bem, a menos que se distanciem de Jane." disse o homem.
"Como?" disse Jane semiserrando os olhos.
"Você repele os espíritos, não atrai eles. Mas aqueles outros dois meninos, eles tem a alma perfeita para ser possuída por um demônio, e um corpo desoculpado. Por isso os espíritos se apoderaram do corpo deles" explicou o homem, "talvez isso não acontecesse se você estivesse com eles todo o tempo, e se você tivesse mais afeição por esses dois, Jane." ele fez uma leve pausa "sua preferência por Alisson e Jimmy é fácilmente percebida."
Jane olhou pra mim e corou.
O homem deu um abraço apertado em Jane, e lhe deu um beijo no alto da cabeça.
"Sinto a sua falta vovô. A casa nunca foi a mesma sem você".
Quando o homem abriu a boca pra falar, eu e Alisson vimos várias daqulas pessoas pálidas e cheias de cicatrizes saindo de dentro do prédio e vindo em direção á nós. Entre eles, estavam Richard e Will, possuídos. Eles gritavam e em suas mãos haviam cacos de vidro e pedaços de ferro pontudos.
"Alisson, Jimmy, corram" disse Jane.
Nós nos viramos, mas Jane continuou lá.
"Você não vem?" eu disse.
"Tenho que ficar e tirar o demônio de Will e Richard. Por favor, vão." disse Jane.
"Eu não vou deixar você aqui Jane" eu disse.
Ela olhou nos meus olhos, e disse "Então fique. Mas a cena não vai ser boa".
Os corpos multilados já estavam bem próximos. Estava escuro, pois já era noite. Eu peguei na mão de Jane, quando Will tentava se jogar em cima de nós, ela levantou a mão e ele caiu de joelhos, urrando de dor. O avô de Jane estava falando em uma língua desconhecida, com as mãos levantadas e as pessoas a sua frente caíam e se contorciam no chão, revirando os olhos.
Jane estava com a mão sobre a cabeça de Will, e ele olhou fundo dentro dos olhos dela, seus olhos estavam brancos, e não havia mais sinal de vida nele. Ele caiu morto. Assim como Richard,  que estava sendo exorcisado pelo avô de Jane, que agora tentava atrair as pessoas para longe.
"Vá embora Jane! Cuide de seus amigos." gritou o avô dela.
Com a mão que estava livre, o homem apenas acenou e sorriu, enquanto eu, Alisson e Jane corríamos em direção ao portão de entrada. Os gritos foram ficando pra trás, assim como a figura grotesca de uma dúzia de pessoas se contorcendo.
"E Will? E Richard?" perguntou Alisson.
"Eles estão mortos, não podemos fazer mais nada. Desculpe." disse Jane.
Ajudei as meninas a pular a grade do colégio, e o vigia nos encontrou. Viu que Alisson estava chorando freneticamente, e nós pedimos que ele chamasse a polícia.
Fomos pra delegacia, depois pra casa de Jane. Por fim decidimos não contar o que havia acontecido, apenas falamos que fomos perseguidos.
Dois dias depois fomos ao enterro de Will e Richard. Alisson chorou muito.  Disseram que eles haviam morrido queimados, por isso não abriram o caixão.
O prédio foi revistado, mas não encontraram nada lá. Discobrimos que muitas mais mortes aconteceram ali, não apenas a do vô de Jane, ou Will e Richard, e enfim derrubaram o prédio.
Alguns meses depois, o desastre estava quase esquecido. Eu, Jane e Alisson estávamos estudando bastante, e tudo corria bem, apesar da falta que Will e Richard faziam.

Dez anos se passaram, eu e Jane estamos casados. Alisson se casou e agora mora com um modelo de cuecas. Nunca mais tocamos no assunto.
Eu e Jane temos um filho. Seu nome é Jason, mesmo nome do avô de Jane. Ele é normal, menos pelo fato de que tem sonhos com o bisavô que ele nunca conheceu, e de poder fazer exorcismos, mesmo sem saber.


fim -

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O Décimo Terceiro Prédio - Capítulo 4

"Oh meu Deus" disse Jane.
Havia um homem se contorcendo e gritando em cima de uma cama, enquanto outro homem mantinha a mão em sua testa, gritando palavras em uma língua que eu não conhecia. Ele jogou um líquido no outro homem, que por sua vez gritou mais ainda, deixando a cena mais aterrorizante. Alisson tampou os olhos. A única palavra que pude reconhecer foi "Cristo", dito em alto e bom som, saída da boca do homem que estava em pé. O homem na cama revirou os olhos e soltou um guincho de agonia. Alisson estava chorando.
"Pare com isso!" gritou Alisson, "não vê que está fazendo mau a ele!"
Tudo se calou. Um tremor subiu pelo meu corpo, arrepiando os pelos da minha nuca.
Will sussurrou "acho que está na hora de nós..."
Ele foi interrompido quando viu o homem calar-se, virar a cabeça lentamente e olhar nos olhos de Alisson, e passando para os olhos de Jane, que nem respirava.
Tive um espasmo quando percebi que os homens eram fantasmagoricamente brancos como mortos, cicatrizes cobriam a maior parte de seus corpos, que estavam expostas e suas roupas estavam encharcadas de sangue.
Aconteceu muito rápido. Enquanto Will abria a porta para nos dar passagem para sair do quarto, o homem de pé soltou um ganido alto, e sentimos uma onda de pressão inundar o quarto, então fui jogado para fora. A porta se fechou num baque, enquanto tentava manter-me em pé.
"Aonde está o Richard?" disse Alisson.
Depois do susto, levei um tempo para processar a pergunta. Só conseguia ouvir a respiração rápida e nervosa de Alisson. Só depois voltei a realidade, isso tudo em um segundo, e percebi que Richard não estava entre nós. Ele devia estar lá dentro. Alisson ainda tentou abrir a porta, mas a segurei e nós quatro descemos a escada correndo para o segundo andar.
Se no terceiro andar presenciamos aquela cena pavorosa, imagine o que presenciaríamos no quarto e no quinto andar? Eu não queria saber.
Voltamos ao segundo andar. Finalmente pude respirar, mas novamente nos deparamos com uma cena grotesca. Haviam pessoas brancas e pálidas como os homens do segundo andar. Eles andavam paralelamente pela sala, e olhavam fixamente para o teto, como loucos.
Percebemos que Will estava mais distante de nós. De repente, desesperado, correu em direção a saída para o primeiro andar, que estava bloqueada por várias daquelas pessoas horríveis, todas com rostos deformadas com cicatrizes. Ele foi barrado, e as pessoas começaram a amontoar-se em cima dele. Não vimos o que aconteceu. Eles vinham em direção á nós. Olhei para trás e vi uma janela quebrada, com vidros em pedaços pelo chão.
Gritei "Jane, Alisson!" eu não pensei duas vezes. Me joguei pela janela com toda a força que consegui reunir.
Fechei os olhos e pude sentir o vento.
Procurei freneticamente algo para me agarrar, e meus dedos alcançaram algo úmido.
Eu havia me agarrado a árvore. Juntei forças e fui me agarrando aos galhos.
Consegui descer, e Alisson e Jane desceram logo atrás de mim. Fomos correndo em direção ao portão, mas quando Alisson o alcançou, Jane parou e virou-se.
"Está me chamando" sussurrou Jane.
"Ninguém está te chamando, Jane" disse Alisson.
"Está me chamando" repitiu Jane.
"Quem Jane?" disse eu.
"O meu avô" respondeu ela.
Então ela disparou a correr em direção a um homem branco e pálido que estava próximo ao prédio.

Fim do Capítulo 4

O Décimo Terceiro Prédio - Capítulo 3

Combinamos de ir no final de semana seguinte.
Falei pra minha mãe que iria sair com Will e que voltaria a noite. Disse que não era preciso me esperar para o jantar e saí.
Quando cheguei na casa de Will, Jane, Alisson e Richard estavam lá. Will havia contado que íamos ao prédio, e elas não queriam nos deixar ir, mas acabaram concordando em ir também.
Fomos no carro do Will. Pulamos a grade da escola e conseguimos entrar sem que o vigia percebesse.

Fui contando os pequenos prédio enquanto andávamos.
"O que exatamente você querem aqui?" disse Richard.
"Então você está com medo de entrar?" disse Will rindo.
"Claro que não!" disse Richard. Will deu um tapinha no braço dele.
"O Jimmy que quer entrar", disse Will, "e eu também".
"Vocês nunca entraram aqui?" perguntei.
Só Will respondeu "Não." ele riu.
Notei que Jane estava muito calada. "Ei Jane, diga alguma coisa" disse eu.
"Alguma coisa" disse ela, "devíamos voltar agora. Não temos nada pra fazer lá."
"Concordo com Jane" disse Alisson.
"Ah, vocês vão ficar com medinho? Não deviam ter vindo" disse Will.
Ficamos em silêncio.
Andamos mais um pouco até chegarmos ao prédio que deveria ser o treze. Era um prédio afastado dos outros. Era de um azul envelhecido, desbotado. A maioria da pintura estava descascada. Os vidros estavam em pedaços e havia uma grande árvore velha próxima a ele. Apesar de ainda ser dia, as características do prédio davam muito medo. Estava frio e parecia que ia chover, então resolvemos entrar logo.
Parecia que a porta havia sido quebrada de dentro pra fora. Jane e Alisson estavam de mãos dadas. Richard estava atrás delas e eu e o Will íamos na frente. Quando entramos na sala principal, vimos um balcão empoeirado e algumas cadeiras jogadas no chão. Não era algo muito assustador.
No chão, vi uma placa. Abaixei pra pegar e li "Entrada Proibida".
"A polícia esteve aqui?" perguntei.
"Sim e não. Eles ficaram com medo também e foram embora" disse Alisson.
Enquanto subiamos a escada para o segundo andar, Jane disse baixinho "Olhem aquilo" e apontou para alguns degraus acima. No lugar havia uma pequena cruz, com características de ter sido queimada, mas não completamente.
"Faziam exorcimos aqui. O que vocês esperavam?" disse Will. E continuou subindo. Dessa vez fui me colocar ao lado de Jane e Alisson, deixando Will ir sozinho na frente. Elas olharam pra mim com um olhar preocupado, mas prosseguiram.
Quando chegamos ao segundo andar, entramos uma sala com objetos estranhos. Cruzes, objetos de madeira que eu nunca tinha visto, um altar que parecia ser de magia negra e marcas na parede.
"Sinistro" disse Will "mas acho que o interessante vai estar nos andares de cima" ele riu.
Subimos pro terceiro andar. Havia uma porta com grades, e estava fechada.
"Ótimo. Está trancada. Vamos embora." Alisson disse.
Will resmungou algo que eu não pude ouvir, então pegou uma barra de ferro que estava jogada pelo chão e bateu com toda a força nas grades. Um barulho alto de ferro se chocando, e depois a porta estava aberta.
"Barras vagabundas" disse Will.
O terceiro andar depois das grades era assustador. Me sentia em um filme de terror. Haviam marcas nas paredes, vidros quebrados, velas jogadas pelo chão e em cima de móveis velhos. Começamos a ouvir passos que vinham dos andares de baixo. Depois uma ganido agudo que parecia de unhas sendo arrastadas na parede. Eu automaticamente me agarrei ao braço de Jane. Agora eu estava com medo. Então ouvimos um grito. Agudo, de dor.
Tum. Tum. Tum. Os passos pararam, mas agora ouvíamos batidas leves.
Outro Grito. Agoniante.
Tum. Tum. Tum. Então Richard saltou correndo escada a baixo.
"Richard, não. Espere!" Alisson conseguiu segura-lo "temos que ficar juntos".
Então nós ouvimos mais passos. Cada vez mais perto.
Um baque. As grades da porta haviam se fechado e nós corremos com o susto. Entramos dentro de uma sala. Mas não foi uma boa idéia.
Eu não sabia se aquilo que eu estava vendo era verdade.
"Oh meu Deus" disse Jane.

Fim do Capítulo 3

O Décimo Terceiro Prédio - Capítulo 2

"Mas só existem dez prédios aqui."
Alisson disse "É o último prédio."
"Haviam quinze prédios. Os número onze, doze, quatorze e quinze foram demolidos, menos o treze", disse Richard.
"Que ironia. Treze. Por que ele não foi demolido?" perguntei.
"Porque lá acontecem coisas estranhas" sussurrou Jane.
Ficamos calados por alguns instantes, então decidi perguntar.
"Que tipo de coisas estranhas?"
Jane abaixou os olhos. Will se virou para ela e disse: "Gritos. Luzes estranhas. Pedidos de socorro. Tudo isso." disse ele. Sua expressão ficou séria, "Tudo bem Jane?"
Ela só balançou a cabeça positivamente.
"O prédio era um lugar de exorcismo" continuou Jane, sussurrando novamente "os exorcismos aconteciam normalmente, se é que você pode chamar isso de uma atividade normal.", Alisson encostou a cabeça no braço de Richard e Will cruzou os braços, "até que um dia aconteceu um assasinato, e o lugar foi fechado."
Ficamos em silêncio e perguntei novamente "Quem morreu?"
Jane levantou os olhos pra mim e disse "O meu avô."
"Sinto muito", disse eu.
"Ela era muito ligada ao avô", disse Alisson.
"Obrigada" disse Jane.
O sinal tocou e fomos para aula de Biologia.

No final da aula procurei Richard, e ele estava encostado no bebedouro, tentando beber água.
"Bebedouro idiota" disse ele.
"Richard."
"Jimmy.O que você quer?"
"O que sabe sobre o prédio mal-assombrado?" eu disse, e ele sorriu.
" HÁ! Você acha que eu acredito nessas besteiras? Tenho certeza que são só histórias pra assustar. Qual é, você acredita naquilo?"
Fiquei impressionado por ele ter feito mais de uma pergunta corretamente.
"Fiquei curioso, só isso." continuei, "você pode me levar lá?"
"Se eu achar o caminho" ele disse rindo.
 "Idiota", pensei.

Eu estava mesmo curioso, então pensei em Will. Uma aposta bastaria para ele me levar até lá. Fui procura-lo antes que ele fosse embora.
"Will?"
Ele estava perto do carro.
"Jimmy! Quer carona?"
 "Não. Vou direto ao assunto. Quero que me leve ao prédio treze." eu disse.
"Achei que você nunca ia perguntar" disse ele revirando os olhos. "Claro que eu te levo."
Eu sorri.
Mais fácil do que eu pensei.

Fim do Capítulo 2

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O Décimo Terceiro Prédio - Capítulo 1

Era uma manhã chuvosa do tipo "Me deixe dormir mais cinco minutos", mas infelizmente eu tinha que me readaptar á rotina da escola nova.
Acordei atrasado e tive que ir pra escola de estômago vazio. Quando cheguei lá, encontrei meus novos amigos: Richard, Alisson, Jane e Will.
Richard era jogador de futebol americano, era forte e tinha ombros largos, seu cérebro era semelhante a uma buzina de avião, ambos existem mas nunca são usados.
Alisson era líder de torcida, e namorada de Richard. Ela era bonita e popular, mas não parecia esperta o bastante para encontrar um namorado mais inteligente.
Jane era o tipo de garota que marcava uma ida ao cinema um mês antes, porque ela exercia tantas atividades que quase não tinha tempo para se divertir. Tinha o sorriso mais bonito... Confesso.
Tenho poucas palavras para falar do Will, o tipo de cara que dizia "relaxem... Eu estou na foto, vocês não vão aparecer."
Eu... Bem, eu era apenas o Jimmy, "o novato".

Depois da minha segunda aula de geometria, fomos para o refeitório.
Grrrr 
Alisson disse "Poxa! Isso foi nojento Richard!"
Richard responde "Dessa vez, não fui eu."
"Ah! Me desculpem. Foi o meu estômago" eu disse.
"Aaah! Eu pensei que fossem elefantes pulando corda!" disse Jane rindo.
"Ou cavalos debandando", disse Alisson.
Risos
Will olhou pra mim sério e disse "E aí? Quer conhecer o prédio treze?" Jane lhe lançou um olhar de reprovação, e eu o olhei confuso.
"Mas... Só existem dez prédios aqui."


Fim do Capítulo 1