sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O Décimo Terceiro Prédio - Capítulo 5

"O meu avô" respondeu ela.
Então ela disparou a correr em direção a um homem branco e pálido que estava próximo ao prédio.
"Jane!" eu gritei. Saí correndo atrás dela. Alisson fez o mesmo.
Ela parou em frente ao homem, o encarando.
"Jane" disse ele. Os olhos de Jane se encheram de lágrimas.
"Jane, precisamos ir embora" disse Alisson tremendo.
Eu peguei no braço de Jane, mas ela continuou parada como uma estátua perfurando os olhos do homem com o olhar.
"É bom ver você. De novo." disse o homem.
"De novo?" perguntei histérico.
"Não pude lhe dizer tudo antes" continuou o homem, "você ficou tão pouco. Porque saiu correndo?"
"Eu fique com medo. Pensei que você quisesse me matar. O que você queria comigo?" disse Jane.
"Eu queria te contar toda a história." o homem disse, e Jane só balançou a cabeça.
"Você Jane" continuou ele, "tem um dom. O mesmo que eu tinha."
Dessa vez eu perguntei "Que dom? Do que vocês estão falando?"
"Você pode..." perguntou Alisson a Jane. Ela apenas assentiu.
"Não estou entendo nada!" disse eu nervoso." Nós temos que sair daqui!"
O homem deu um passo em minha direção e disse "Jane é exorcista. Ela pode fazer o mesmo que eu."
Eu não consiguia imaginar Jane, tão frágil e portadora de um sorriso tão lindo, exorcisando alguém.
"Não pode ser verdade" eu disse.
Alisson estava apavorada "Por favor, podemos ir embora agora? Por favor... Eu não quero me machucar"
"Ninguém vai te machucar aqui. Não seja idiota." disse o homem.
"Mas e os espíritos lá dentro?" Alisson perguntou apontando para o prédio.
"Eles são só demônios saídos de algum corpo possuído. Vocês ficarão bem, a menos que se distanciem de Jane." disse o homem.
"Como?" disse Jane semiserrando os olhos.
"Você repele os espíritos, não atrai eles. Mas aqueles outros dois meninos, eles tem a alma perfeita para ser possuída por um demônio, e um corpo desoculpado. Por isso os espíritos se apoderaram do corpo deles" explicou o homem, "talvez isso não acontecesse se você estivesse com eles todo o tempo, e se você tivesse mais afeição por esses dois, Jane." ele fez uma leve pausa "sua preferência por Alisson e Jimmy é fácilmente percebida."
Jane olhou pra mim e corou.
O homem deu um abraço apertado em Jane, e lhe deu um beijo no alto da cabeça.
"Sinto a sua falta vovô. A casa nunca foi a mesma sem você".
Quando o homem abriu a boca pra falar, eu e Alisson vimos várias daqulas pessoas pálidas e cheias de cicatrizes saindo de dentro do prédio e vindo em direção á nós. Entre eles, estavam Richard e Will, possuídos. Eles gritavam e em suas mãos haviam cacos de vidro e pedaços de ferro pontudos.
"Alisson, Jimmy, corram" disse Jane.
Nós nos viramos, mas Jane continuou lá.
"Você não vem?" eu disse.
"Tenho que ficar e tirar o demônio de Will e Richard. Por favor, vão." disse Jane.
"Eu não vou deixar você aqui Jane" eu disse.
Ela olhou nos meus olhos, e disse "Então fique. Mas a cena não vai ser boa".
Os corpos multilados já estavam bem próximos. Estava escuro, pois já era noite. Eu peguei na mão de Jane, quando Will tentava se jogar em cima de nós, ela levantou a mão e ele caiu de joelhos, urrando de dor. O avô de Jane estava falando em uma língua desconhecida, com as mãos levantadas e as pessoas a sua frente caíam e se contorciam no chão, revirando os olhos.
Jane estava com a mão sobre a cabeça de Will, e ele olhou fundo dentro dos olhos dela, seus olhos estavam brancos, e não havia mais sinal de vida nele. Ele caiu morto. Assim como Richard,  que estava sendo exorcisado pelo avô de Jane, que agora tentava atrair as pessoas para longe.
"Vá embora Jane! Cuide de seus amigos." gritou o avô dela.
Com a mão que estava livre, o homem apenas acenou e sorriu, enquanto eu, Alisson e Jane corríamos em direção ao portão de entrada. Os gritos foram ficando pra trás, assim como a figura grotesca de uma dúzia de pessoas se contorcendo.
"E Will? E Richard?" perguntou Alisson.
"Eles estão mortos, não podemos fazer mais nada. Desculpe." disse Jane.
Ajudei as meninas a pular a grade do colégio, e o vigia nos encontrou. Viu que Alisson estava chorando freneticamente, e nós pedimos que ele chamasse a polícia.
Fomos pra delegacia, depois pra casa de Jane. Por fim decidimos não contar o que havia acontecido, apenas falamos que fomos perseguidos.
Dois dias depois fomos ao enterro de Will e Richard. Alisson chorou muito.  Disseram que eles haviam morrido queimados, por isso não abriram o caixão.
O prédio foi revistado, mas não encontraram nada lá. Discobrimos que muitas mais mortes aconteceram ali, não apenas a do vô de Jane, ou Will e Richard, e enfim derrubaram o prédio.
Alguns meses depois, o desastre estava quase esquecido. Eu, Jane e Alisson estávamos estudando bastante, e tudo corria bem, apesar da falta que Will e Richard faziam.

Dez anos se passaram, eu e Jane estamos casados. Alisson se casou e agora mora com um modelo de cuecas. Nunca mais tocamos no assunto.
Eu e Jane temos um filho. Seu nome é Jason, mesmo nome do avô de Jane. Ele é normal, menos pelo fato de que tem sonhos com o bisavô que ele nunca conheceu, e de poder fazer exorcismos, mesmo sem saber.


fim -

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