"Oh meu Deus" disse Jane.
Havia um homem se contorcendo e gritando em cima de uma cama, enquanto outro homem mantinha a mão em sua testa, gritando palavras em uma língua que eu não conhecia. Ele jogou um líquido no outro homem, que por sua vez gritou mais ainda, deixando a cena mais aterrorizante. Alisson tampou os olhos. A única palavra que pude reconhecer foi "Cristo", dito em alto e bom som, saída da boca do homem que estava em pé. O homem na cama revirou os olhos e soltou um guincho de agonia. Alisson estava chorando.
"Pare com isso!" gritou Alisson, "não vê que está fazendo mau a ele!"
Tudo se calou. Um tremor subiu pelo meu corpo, arrepiando os pelos da minha nuca.
Will sussurrou "acho que está na hora de nós..."
Ele foi interrompido quando viu o homem calar-se, virar a cabeça lentamente e olhar nos olhos de Alisson, e passando para os olhos de Jane, que nem respirava.
Tive um espasmo quando percebi que os homens eram fantasmagoricamente brancos como mortos, cicatrizes cobriam a maior parte de seus corpos, que estavam expostas e suas roupas estavam encharcadas de sangue.
Aconteceu muito rápido. Enquanto Will abria a porta para nos dar passagem para sair do quarto, o homem de pé soltou um ganido alto, e sentimos uma onda de pressão inundar o quarto, então fui jogado para fora. A porta se fechou num baque, enquanto tentava manter-me em pé.
"Aonde está o Richard?" disse Alisson.
Depois do susto, levei um tempo para processar a pergunta. Só conseguia ouvir a respiração rápida e nervosa de Alisson. Só depois voltei a realidade, isso tudo em um segundo, e percebi que Richard não estava entre nós. Ele devia estar lá dentro. Alisson ainda tentou abrir a porta, mas a segurei e nós quatro descemos a escada correndo para o segundo andar.
Se no terceiro andar presenciamos aquela cena pavorosa, imagine o que presenciaríamos no quarto e no quinto andar? Eu não queria saber.
Voltamos ao segundo andar. Finalmente pude respirar, mas novamente nos deparamos com uma cena grotesca. Haviam pessoas brancas e pálidas como os homens do segundo andar. Eles andavam paralelamente pela sala, e olhavam fixamente para o teto, como loucos.
Percebemos que Will estava mais distante de nós. De repente, desesperado, correu em direção a saída para o primeiro andar, que estava bloqueada por várias daquelas pessoas horríveis, todas com rostos deformadas com cicatrizes. Ele foi barrado, e as pessoas começaram a amontoar-se em cima dele. Não vimos o que aconteceu. Eles vinham em direção á nós. Olhei para trás e vi uma janela quebrada, com vidros em pedaços pelo chão.
Gritei "Jane, Alisson!" eu não pensei duas vezes. Me joguei pela janela com toda a força que consegui reunir.
Fechei os olhos e pude sentir o vento.
Procurei freneticamente algo para me agarrar, e meus dedos alcançaram algo úmido.
Eu havia me agarrado a árvore. Juntei forças e fui me agarrando aos galhos.
Consegui descer, e Alisson e Jane desceram logo atrás de mim. Fomos correndo em direção ao portão, mas quando Alisson o alcançou, Jane parou e virou-se.
"Está me chamando" sussurrou Jane.
"Ninguém está te chamando, Jane" disse Alisson.
"Está me chamando" repitiu Jane.
"Quem Jane?" disse eu.
"O meu avô" respondeu ela.
Então ela disparou a correr em direção a um homem branco e pálido que estava próximo ao prédio.
Fim do Capítulo 4
Nenhum comentário:
Postar um comentário